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Descanse em Paz

Descanse em Paz

Escrito por: Robson Ortlibas

São 3 horas da manhã e todos estão dormindo na casa da família Azevedo, no bairro do Jardins, quando toca sem parar o telefone do lado da cama de Roberto. Ele e sua esposa acordam assustados com o barulho, acendem o abajur e Roberto atende ao telefone achando que só pode ser um trote a uma hora dessas.

Era a da Santa Casa de Ribeirão, do outro lado da linha a assistente social calmamente diz que encontrou seu telefone nos pertences de seu irmão caçula Osvaldo Azevedo, e conta-lhe que seu irmão sofrera um acidente grave de carro junto com sua esposa e sua filha, infelizmente ninguém sobreviveu. Naquele momento Roberto fica sem fala, atônito, pois a mulher acaba de dar a notícia de que seu único irmão, casado a pouco mais de 1 ano e pai há dois meses, morreu num acidente de carro. Roberto vinha lhe devendo uma visita para conhecer a sobrinha  mas sempre dizia que não conseguia um tempo para ir até Ribeirão Grande. Assim que desliga o telefone, Roberto dá a notícia à sua esposa, Elisa, e tomam a decisão de pegar o carro assim que amanhecer para cuidar de todas as providências necessárias para o sepultamento, pois não há mais ninguém pra fazer isso.

            Quando o dia amanhece, eles começam a arrumar as malas para ir em direção à Ribeirão Grande. Por volta das 06h30min, Roberto, Eliza, Henrique e Melissa –seus dois filhos- estão prontos dentro do carro, uma BMW X5 blindada e vidros escuros, pois Roberto tinha muito medo de seqüestro, pois havia sido vitima de um há 1 ano atrás, o que acabou deixando-o traumatizado. Então eles começam a viagem e pegam a estrada, passados alguns quilômetros , Elisa o lembra de que eles devem levar uma coroa de flores para o velório, pois não sabe se encontrará um lugar ou terá cabeça pra cuidar disso quando chegar na cidade. Então Roberto diz:

“Na primeira floricultura pararemos e compramos a coroa de flores.”

Passados cerca de 5 km eles avistam um cemitério na beira da estrada, onde ao lado há uma floricultura, um posto de gasolina e uma lanchonete. Eles aproveitam para tomar um café da manhã, abastecer o carro, e comprar a coroa de flores. Elisa nota que precisa trocar a fralda do Henrique e vai até o banheiro da lanchonete, Melissa fica sozinha sentada à mesa e Roberto vai até a floricultura enquanto deixa o frentista abastecendo o carro e checando os pneus, óleo e água do motor para poder viajar com segurança.

Quando Roberto entra na floricultura ele vê um senhor de idade bem avançada, com no mínimo seus 80 anos, de aparência frágil e ao mesmo tempo assustadora, pois seus olhos estavam quase completamente brancos, o que certamente dificultava sua visão, além de dentes horríveis, ou melhor, poucos pedaços do que um dia foram dentes em sua boca. Lá também se encontrava um Jovem rapaz que aparentava no máximo uns 25 anos, também de má aparência, esquisito e ao mesmo tempo sombrio, todo sujo, roupas rasgadas e com um olhar perturbador,  uma barba disforme que parecia não ser feita há semanas. Mas ignorando tudo isso, Roberto caminha até o balcão e conversa com o rapaz:

“Bom dia, eu gostaria de comprar uma coroa de flores, mas vocês têm alguma pronta pra eu levar agora?”

“Sim Senhor, temos várias já prontas”, responde o rapaz.

Então Roberto completa:

“E vocês podem gravar algo na faixa?”

“Sim, neste mesmo instante!” responde novamente o rapaz.

Sem sequer perguntar o valor, Roberto diz para escrever na faixa:

“FAMÍLIA AZEVEDO, DESCANSE EM PAZ”

E aponta para seu carro no posto de gasolina e diz: “Então você, por favor, coloque no porta-malas daquele carro preto ali fora, pois estarei na lanchonete com minha família.

O rapaz diz: “tudo bem, Sr. Azevedo, e meus pêsames”. Disse isso pois deduziu ser algum parente, por ter o mesmo nome da faixa. Roberto agradece e vai em direção à lanchonete.

Chegando na lanchonete, Roberto e Elsa conversam, Elisa diz:

“Não acho que deveríamos ter saído com tanta pressa e comer nesta espelunca, e você vá bem devagar na estrada, pois você terá sua família dentro do carro.”

Roberto já cheio de problemas e triste pela morte de seu irmão, cunhada e sobrinha que sequer ele chegou a conhecer, começam a discutir bastante, então nervoso diz:

“Todos agora pra dentro do carro, que temos pelo menos 8 horas seguidas de viagem até lá!”

Então todos saem do posto de gasolina com o carro e voltam para estrada sentido à Ribeirão Grande. Logo em seguida, seguindo sua BMW, um carro vermelho com todos os vidros escuros,  o carro é um Ford Maverick SS, rebaixado e com rodas largas, além de um barulho quase ensurdecedor vindo dos escapamentos. Seu estado era bem precário, não havia nenhum farol inteiro ou luz de seta, parecia mais um monte de aço retorcido com motor. Sai cantando pneus, levantando uma grande nuvem de poeira na beira da estrada. Roberto olha pelo espelho e vê aquele carro e toda a poeira em volta mas nem se dá conta, continua a dirigir pela estrada.

Roberto está andando a 70 Km/h, pois Elisa a cada minuto checa em seu marcador se ele está passando do limite, pois a estrada é estreita e tem 2 sentidos, o que torna quase impossível a ultrapassagem naquela pista, e vinham muitos caminhões no sentido contrário. Tudo o que Roberto quer neste momento é evitar mais discussões. Após alguns minutos, Roberto nota que o Maverick ainda está atrás dele, até que o carro começa a acelerar e alcançar a BMW –  o que não é difícil, visto que Roberto está bem devagar para uma estrada –  e cola em sua traseira, acelerando bastante e fazendo muito barulho, como se quisesse ultrapassá-lo mas ao mesmo tempo não. Até que Roberto nota que no banco do motorista era o rapaz da floricultura onde ele comprou a coroa de flores. Como ele já havia achado aquele rapaz bastante esquisito, ele não responde aos sinais do rapaz insinuando para encostar o carro e parar. Elisa diz a Roberto:

“Quem é este homem? O que ele está querendo?”

“É o rapaz da floricultura, e não me pareceu uma pessoa normal”, diz Roberto.

“Com certeza, ele parece um psicopata, não pare este carro em hipótese alguma!”, diz Elisa.

 Então Roberto acelera o seu carro, chegando a mais de 100 km/h, deixando o rapaz um pouco para trás. Neste momento todos na BMW estão assustados e tentando entender o motivo que estava levando o rapaz da floricultura a segui-los. Por um instante ele não mais o vê em seu retrovisor, o que lhes dão uma sensação de alívio.

Passados uns 10 minutos Melissa reclama que precisa ir ao banheiro, e Elisa diz:

“Filha, não há banheiro por aqui.”

“Mas eu vou fazer xixi nas calças, mamãe!” diz Melissa.

Então Roberto olha mais uma vez no retrovisor e nada vê além de poeira e asfalto, desta forma resolve parar no acostamento para Elisa levar Melissa na beira da estrada para urinar, pois ele acredita que o rapaz do maverick tenha desistido de sua perseguição maluca e sem nexo. Quando Melissa e Elisa descem do carro, e vão em direção aos arbustos,  Roberto vê pelo retrovisor  o velho Maverick bem ao fundo na estrada vindo atrás deles, desesperado Roberto grita para Elisa e Melissa:

“Corram!!! Aquele maluco filho da puta vêm vindo novamente!”

Neste momento Elisa puxa Melissa pelo braço e a menina ainda com a calça abaixada, urinando por todo o caminho e em sua roupa. Via-se a cara de pavor e desespero no casal.

O Maverick já estava bem próximo quando elas estão quase chegando no carro, ele chega ainda mais próximo e para o carro logo atrás da família, desce do carro com algo que parece ser um bastão de madeira, neste momento Elisa e Melissa conseguem entrar no carro, e o rapaz chega bem próximo do vidro ao lado dela, seu rosto era de alguém desesperado, ofegante – podia-se dizer que ele babava pelos cantos da boca – ou então o rosto de alguém muito perturbado, um psicopata, como disse Elisa minutos antes. Neste momento de desespero Roberto liga o carro e sai em disparada, derrubando o rapaz no acostamento, deixando-o no meio da enorme nuvem de poeira provocada pela arrancada do BMW. Roberto e sua família saem pela estrada sem nem mesmo olhar para trás.

“Você viu aquilo, Roberto? Aquele psicopata queria nos matar com aquele bastão!!!”  Diz Elisa quase chorando de desespero.

Roberto responde afirmativamente dizendo:

“Eu vi, ainda bem que consegui sair a tempo daquele desgraçado fazer algo”. E completa: “deveria ter dado ré e passado por cima do filho da puta”.

Elisa fica calada, porém com uma feição de aprovação, enquanto Melissa chora bastante com o susto e porque sua roupa está toda molhada de urina. Roberto diz às duas que despistar o maluco, ele parará em algum hotel na beira da estrada.  Elisa mais uma vez aprova a ideia de Roberto.

Mas passados 30 minutos, sem que eles notem, com o som do carro ligado e os vidros fechados, o Maverick chega bem perto do BMW e consegue encostar no para-choque traseiro e levemente eles sentem um empurrão em suas costas. Eles olham para trás e vêem o rapaz novamente, Elisa grita desesperadamente assim como Melissa também grita com medo, fazendo Henrique chorar sem parar, e Roberto nervoso olha e vê o rapaz gesticulando novamente e desta vez nota-se um certo olhar de nervoso, insinuando para eles encostarem o carro novamente.

Roberto joga o carro um pouco à direita e desacelera um pouco o carro, de forma que o Maverick ficou quase lado-a-lado  com o BMW. Então Roberto joga o carro bruscamente para sua esquerda, tentando jogar o Maverick para a pista contrária fazendo o rapaz quase bater de frente com um ônibus no sentido contrário, mas ele conseguiu jogar para o acostamento. Então ele volta para sua pista, Roberto volta a acelerar o carro novamente e desta vez o Maverick consegue manter a mesma velocidade do BMW. Elisa diz nervosa e desesperada:

“Acelera essa merda, Roberto!”

“Você acha que não estou fazendo isso porra!?” grita Roberto.

Mas a condição da estrada não é das melhores e ele se preocupa em não provocar um acidente. O rapaz acelera com toda a potência do Maverick e consegue emparelhar o carro com o de Roberto num momento em que não vinha nenhum veículo contrário. De repente, Roberto saca do porta-luvas sua arma, uma  „.45“, que ele comprou apos ser seqüestrado –  pensando em se proteger – , ele abre o seu vidro e antes do rapaz poder gritar qualquer coisa que ele possa ouvir, ele dispara sua arma em direção ao pneu do Maverick. Acerta o pneu dianteiro, de forma que o rapaz perdeu momentaneamente o controle e jogou o carro para a direita, de encontro com a parte lateral traseira do BMW, que também perdeu o controle batendo no guard-rail e capotando no sentido contrário da pista. Neste momento vem uma carreta que transportava toras de madeira e se choca com a BMW que estava no meio da pista de ponta-cabeça. Com o choque o carro da família – ou o que restou dele – foi parar do outro lado da pista no meio de uma plantação de milho. O rapaz do Maverick consegue controlar seu carro e parou no acostamento são e salvo, apenas assustado com tudo o que aconteceu.

Ele respira fundo, desce do carro com certa dificuldade, segurando um bastão que usa como bengala, por conta de um acidente que sofreu há anos, deixando sua perna esquerda mais curta que a direita, e foi caminhando até os destroços do BMW. A certa distância ele pôde ver os corpos de toda a família dilacerados e sem vida, ele se ajoelha, leva a mão ao rosto e começa a chorar por tudo aquilo que está vendo diante dele. Instantes depois ele se levanta, vai até seu carro e retira do porta-malas a coroa de flores que Roberto havia comprado e que não deu tempo de colocar no BMW, porque Roberto saiu muito rápido do posto, e ele estava até agora desesperado tentando alertá-lo e devolver a coroa de flores.

Ele leu a faixa na coroa que dizia:

“FAMÍLIA AZEVEDO, DESCANSE EM PAZ”

Então o rapaz pega a coroa, atravessa novamente a estrada e a pendura num pé de milho próximo aos destroços do BMW. E assim retorna para seu tranqüilo trabalho.

 
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Publicado por em 07/12/2012 em Contos

 

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Carreira musical: Professor de música.

Olá! Falarei um pouco sobre uma das ramificações da carreira musical: O professor de música.

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Encarado por muitos como “o cara que manja muito” ou então “o cara que não sabe, então ensina”, é na verdade a pessoa que estuda música com o objetivo de ensinar. Mas afinal, qual a diferença entre o professor de música e  os outros músicos?

Em geral o professor de música aprendeu as mesmas coisas que um músico prático (aquele que ganha a vida se apresentando nos palcos), mas ele não tem que apenas entender como utilizar aquilo que aprendeu, mas também precisa entender como ensinar aquilo da melhor forma para um aluno, às vezes até mais de uma forma de ensinar a mesma coisa.

Assim como a vida do músico prático, a de professor não é muito fácil (assim como todo professor no país), os ganhos oscilam muito e pode haver meses em que você ganhará menos de um salário mínimo. A única vantagem em relação ao músico prático é que você pode ter um piso salarial mais constante do que este, claro, se você souber administrar bem sua carreira.

Normalmente o professor de música está numa casta inferior aos outros professores, às vezes ate mais baixo do que o personal trainner ou o professor de Yoga (não desmerecendo os outros profissionais), afinal para muitos, cuidar do corpo e do stress é mais importante do que a música (quando é preciso fazer a escolha). Hoje eu posso constatar que o maior “inimigo” (metaforicamente, claro) do professor de música é o professor ou a escola de inglês, por que quando o horário da aula de inglês muda ou aumenta o preço, a primeira coisa a ser cortada do orçamento familiar é a aula de música. Então você deve estar pensando: “puxa, serei professor de inglês e música!” calma, não é pra tanto, mas prometo que quando achar a solução voltarei a escrever sobre o assunto.

Sendo assim, o professor de música deve ficar atento aos períodos de “baixa”, que é quando os alunos estão de férias (seja do trabalho ou escola), e também quando voltam das férias, porque os horários das escolas podem mudar e do cursinho de inglês (olha ele aí novamente!) também muda a cada estágio. Mas se você adquirir uma boa clientela (leia-se: alunos), seus períodos de “baixa” não serão tão drásticos e você conseguirá administrar tais infortúnios.

O professor de música pode atuar de diversas formas: em escolas de música, ensino médio e fundamental (para quem tem licenciatura), faculdade (para quem tem formação acima da graduação) ou professor particular. Cada uma delas tem uma realidade diferente, salários diferentes e até forma de agir diferente. Posso falar apenas do professor de escola de música e professor particular, que  atuo por quase 17 anos. Dar aulas em escolas de música pode ser legal, você estará cercado por pessoas com interesses em comum, muitos outros professores e diversos alunos a cada hora. É mais “cômodo”, porque você não sai do lugar, é o aluno que vem até você e te dá a impressão de “estar no mercado” por conta do ambiente que o cerca. Porém, você ganha apenas uma porcentagem da aula, tem um chefe (dono da escola) e é submetido a métodos que nem sempre você acredita na eficácia. O professor particular pode atuar no domicílio do aluno ou ter um lugar fixo para as aulas, a vantagem deste é que você não precisa locomover-se a cada hora de aula, as vezes se deslocando de um canto a outro da cidade, mas você tem que arcar com aluguel e tudo o que isso acarreta em despesas. Dar aula em domicílio você “viaja” a cada aula, ótimo para quem não aguenta ficar parado no mesmo lugar por muito tempo. É sempre a visita na casa dos alunos, nunca sabe ao certo como será recebido, mas ganha bem mais do que o professor de escola, e o melhor: não tem gasto algum além do transporte e material, mas isso pode ser adicionado ao valor da aula, sobre isso falarei em outra ocasião.

Os professores mais valorizados são aqueles que dão valor aos alunos, ou seja, aqueles que não trocam os alunos por qualquer gig de alguns reais ou aquela promessa de um empresário de que sua banda será um sucesso. Levando a sério sua profissão, todos respeitarão o que você faz e consequentemente obterá lucros consideráveis como qualquer outra profissão.

Portanto, se você pensa em aventurar-se na área do ensino musical, seja PROFESSOR (isso envolve gostar da coisa) e faça disto uma PROFISSÃO (inclua neste item a didática e a seriedade) e não um quebra-galho enquanto não aparece algo melhor.

Na próxima vez falarei mais sobre o professor de música, aguardem! ;)

Boa sorte e até a próxima! :)

 
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Publicado por em 07/02/2012 em Música

 

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Suculenta Sopa (Beautiful Soup)

Após meses sem uma nova postagem, aqui estou! :)

Desta vez com uma tradução feita na aula de tradução, do poema “Beautiful Soup” do livro “Alice’s Adventures in Wonderland” de Lewis Carroll.

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Suculenta Sopa

 

SUCULENTA sopa, tão rica iguaria

No prato quente não sobraria!

Quem por esta sopa não se curvaria?

Sopa para jantar, suculenta sopa!

Sopa para jantar, suculenta sopa!

 

Sucu-leenta soo-pa!

Sucu-leenta soo-pa!

Soo-paa jan-táa,

Suculenta, suculenta sopa!

 

Suculenta sopa! Quem liga para rato

Pato, ou qualquer outro prato.

Quem não correria por um pouco

Da suculenta sopa?

Da suculenta sopa

 

Sucu-leenta soo-pa!

Sucu-leenta soo-pa!

Soo-paa jan-táa,

Suculenta, sucu-LENTA SOPA!

Beautiful Soup

 

BEAUTIFUL Soup, so rich and green,

Waiting in a hot tureen!

Who for such dainties would not stoop?

Soup of the evening, beautiful Soup!

Soup of the evening, beautiful Soup!

 

Beau–ootiful Soo-oop!

Beau–ootiful Soo-oop!

Soo–oop of the e–e–evening,

Beautiful, beautiful Soup!

 

Beautiful Soup! Who cares for fish,

Game, or any other dish?

Who would not give all else for two

Pennyworth only of Beautiful Soup?

Pennyworth only of beautiful Soup?

 

Beau–ootiful Soo-oop!

Beau–ootiful Soo-oop!

Soo–oop of the e–e–evening,

Beautiful, beauti–FUL SOUP! 

 
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Publicado por em 05/15/2012 em Tradução

 

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É proibido pensar!

Presenciamos durante pouco mais de uma semana o embate entre policiais militares e estudantes universitários, estes últimos, estudantes da USP e pertencentes ao prédio da FFLCH (Faculdade de Filosofia, Letras e Ciências Humanas). Toda a confusão aconteceu durante uma abordagem policial no dia 27 de Outubro a três estudantes do curso de Geografia, por estarem fumando maconha dentro do Campus. Após assembleia, decidiram invadir o prédio da administração da FFLCH, que teve seu desfecho com a invasão da Polícia Militar e prisão dos estudantes no ultimo dia 4 deste mês.

Como toda manifestação estudantil, há jovens com seus ideais inflamados e ânsia de mudar o mundo ao seu redor, essa necessidade de mudança é aliada à vontade de deixar uma marca, algo que justifique sua existência. Muitos destes estudantes são jovens preocupados com a liberdade de pensamento e de expressão do mesmo. Houve diversas reclamações por parte dos estudantes em relação à truculência dos policiais militares, que receberam livre arbítrio para por a “ordem” no Campus, desde a ocorrência de um roubo seguido de morte no mês de Maio deste ano. Até então havia uma convivência amistosa entre policiais e estudantes, muitos alegam que perderam sua liberdade dentro da universidade, outros ressaltam apenas que está mais seguro circular por ali. A justificativa dos estudantes tem sua legitimidade, de que em uma universidade não deve haver a intervenção de uma polícia que não seja própria do Campus e que a mesma não deve exercer a força nem colocar o medo dentro de tal ambiente.

 No Entanto, durante a ocupação vimos alguns partidos políticos que são de oposição ao partido do atual governo, o que torna sua “luta” um tanto quanto duvidosa, pois não sabemos até que ponto é legitimo o seu apoio à causa estudantil.

Não só podemos citar os partidos políticos, mas também citar aquelas pessoas que estavam ali, mas não sabiam o motivo e muito menos a importância de tal ato, ou seja, estavam por pura diversão e baderna, fazendo jus às matérias sensacionalistas dos principais jornais e emissoras de TV, que concentraram todo o seu foco na ideia de que eram estudantes mimados da alta sociedade, drogados e que estavam ali porque o contribuinte estava pagando.

Além disso, tínhamos a força da Polícia Militar juntamente com o governador do estado querendo acabar com a manifestação estudantil. À medida que o ocorrido tomava grandes proporções na mídia e até mesmo nas redes sociais como o Facebook, onde o grande povo, que tinha acesso apenas à grande mídia, portanto uma visão rasa do que estava acontecendo, tomava o partido contrário aos estudantes. Sendo assim, o governador Geraldo Alckmin vislumbrou uma oportunidade de promover sua campanha de segurança publica, utilizando os estudantes como bode expiatório, servindo como exemplo para que outra manifestação como essa não voltasse a ocorrer, bem como mostrar aos seus eleitores a vã ideia de que a policia no estado de São Paulo funciona.

Logo, podemos dizer que presenciamos ali a intolerância e oportunismo de todos os lados, a do Estado, dos partidos políticos de oposição e também dos poucos estudantes alienados a tudo o que ocorreu ali, querendo apenas fumar seu baseado e que ofuscou a verdadeira luta estudantil que ocorria naquele ambiente. Quanto aos estudantes que iniciaram o protesto, sobre estes ninguém e nada se fala, pois foram sufocados mais uma vez pelo jogo de interesse político. Afinal, num país que vivenciou um longo período ditatorial e que grande parte dos políticos atuantes pertenceu a tal época, é proibido pensar.

 
 

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Eric Clapton – Show do dia 12/10/2011 – SP

Show sensacional!  Abertura de Gary Jr, e Clapton começando o show pontualmente as 21h. Solos memoráveis e banda muito competente.

Para quem acha que os shows do Eric Clapton são chatos porque ele não fala com o público ou não pula no palco, vale lembrar que ele é assim desde que segurou pela primeira vez uma guitarra no palco. ;)

Música da melhor qualidade, sem enfeites como nos shows de hoje onde pouco importa o músico, e sim a pirotecnia.

Segue o Setlist:

1. “Going down slow”
2. “Key to the highway”
3. “Hoochie coochie man”
4. “Old love”
5. “Tearing us apart”
6. “Driftin’ blues”
7. “Nobody knows you when you’re down and out”
8. “Lay down Sally”
9. “When somebody thinks you’re wonderful”
10. “Layla”
11. “Badge”
12. “Wonderful tonight”
13. “Before you accuse me”
14. “Little Queen Of Spades”
15. “Cocaine”

Bis
16. “Crossroads”

Fotos:

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Publicado por em 10/13/2011 em Fotografia, Música

 

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Filme: Brestskaya Krepost (Brest Fortress)

Olá pessoal,

Hoje meu post será sobre cinema, mais especificamente o cinema russo, deixarei a dica para os fãs de filme de guerra, o filme Brestskaya Krepost (Brest Fortress, título em inglês), ganhador de três prêmios “Nika” em 2011, como melhor produção, figurino e som. Produzido por Ruben Dishdishyan, Igor Ugolnikov e Vladimir Zametalin.

Retrata a invasão nazista em Junho de 1941 à Fortaleza de Brest (Rússia) que marca a primeira invasão nazista ao território russo, narrada por Sashka Akimov ( interpretado por Aleksei Kapashov)  um jovem estudante de música do exército vermelho que sobreviveu à invasão. O exército soviético resiste ao ataque nazista durante nove dias daquele mês de Junho, para não encher de “spoilers”, evitarei de falar mais sobre o filme…assistam que vale muito a pena! :-)

Assista ao trailler:

Uma excelente dica aos amantes dos filmes de guerra, porém cansados da mesmice das versões enlatadas dos americanos. ;-)

Abraços e até a próxima ! :-)

 
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Publicado por em 07/20/2011 em Cinema

 

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Voltando aos poucos…

Olá pessoal!

Finalmente após quase 2 anos sem fotografar, comprei uma camera nova e estou voltando à ativa! :-)

Fui hoje ao Parque da Água Branca (SP) testar o novo brinquedo, estou um pouco enferrujado e ainda não estou acostumado com a camera nova…mas aos poucos estou voltando à mais uma das minhas paixões ;-)

Por enquanto o aproveitamento não é nem de longe o que eu tinha há 2 anos, mas dá pra aproveitar umas 5 fotos a cada 100 :-p

Para quem quiser conferir outras fotos segue o link:

http://www.flickr.com/photos/ortlibas/

Segue abaixo algumas:

 
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Publicado por em 07/18/2011 em Fotografia

 

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