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É proibido pensar!

09 nov

Presenciamos durante pouco mais de uma semana o embate entre policiais militares e estudantes universitários, estes últimos, estudantes da USP e pertencentes ao prédio da FFLCH (Faculdade de Filosofia, Letras e Ciências Humanas). Toda a confusão aconteceu durante uma abordagem policial no dia 27 de Outubro a três estudantes do curso de Geografia, por estarem fumando maconha dentro do Campus. Após assembleia, decidiram invadir o prédio da administração da FFLCH, que teve seu desfecho com a invasão da Polícia Militar e prisão dos estudantes no ultimo dia 4 deste mês.

Como toda manifestação estudantil, há jovens com seus ideais inflamados e ânsia de mudar o mundo ao seu redor, essa necessidade de mudança é aliada à vontade de deixar uma marca, algo que justifique sua existência. Muitos destes estudantes são jovens preocupados com a liberdade de pensamento e de expressão do mesmo. Houve diversas reclamações por parte dos estudantes em relação à truculência dos policiais militares, que receberam livre arbítrio para por a “ordem” no Campus, desde a ocorrência de um roubo seguido de morte no mês de Maio deste ano. Até então havia uma convivência amistosa entre policiais e estudantes, muitos alegam que perderam sua liberdade dentro da universidade, outros ressaltam apenas que está mais seguro circular por ali. A justificativa dos estudantes tem sua legitimidade, de que em uma universidade não deve haver a intervenção de uma polícia que não seja própria do Campus e que a mesma não deve exercer a força nem colocar o medo dentro de tal ambiente.

 No Entanto, durante a ocupação vimos alguns partidos políticos que são de oposição ao partido do atual governo, o que torna sua “luta” um tanto quanto duvidosa, pois não sabemos até que ponto é legitimo o seu apoio à causa estudantil.

Não só podemos citar os partidos políticos, mas também citar aquelas pessoas que estavam ali, mas não sabiam o motivo e muito menos a importância de tal ato, ou seja, estavam por pura diversão e baderna, fazendo jus às matérias sensacionalistas dos principais jornais e emissoras de TV, que concentraram todo o seu foco na ideia de que eram estudantes mimados da alta sociedade, drogados e que estavam ali porque o contribuinte estava pagando.

Além disso, tínhamos a força da Polícia Militar juntamente com o governador do estado querendo acabar com a manifestação estudantil. À medida que o ocorrido tomava grandes proporções na mídia e até mesmo nas redes sociais como o Facebook, onde o grande povo, que tinha acesso apenas à grande mídia, portanto uma visão rasa do que estava acontecendo, tomava o partido contrário aos estudantes. Sendo assim, o governador Geraldo Alckmin vislumbrou uma oportunidade de promover sua campanha de segurança publica, utilizando os estudantes como bode expiatório, servindo como exemplo para que outra manifestação como essa não voltasse a ocorrer, bem como mostrar aos seus eleitores a vã ideia de que a policia no estado de São Paulo funciona.

Logo, podemos dizer que presenciamos ali a intolerância e oportunismo de todos os lados, a do Estado, dos partidos políticos de oposição e também dos poucos estudantes alienados a tudo o que ocorreu ali, querendo apenas fumar seu baseado e que ofuscou a verdadeira luta estudantil que ocorria naquele ambiente. Quanto aos estudantes que iniciaram o protesto, sobre estes ninguém e nada se fala, pois foram sufocados mais uma vez pelo jogo de interesse político. Afinal, num país que vivenciou um longo período ditatorial e que grande parte dos políticos atuantes pertenceu a tal época, é proibido pensar.

 
 

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